Eu descobri por conta própria que pra ser eu uma boa blogueira deveria falar um pouco sobre mim mesma
É libertador quando nos expomos e não apenas as nossas opiniões ou dicas e é muito saudável ter uma história verdadeira pra contar pros filhos e amigos.
Eu poderia dizer aqui que quando era criança meu pai chegou a ter 5 carros de uma só vez (1 chevete marrom metálico, 1 fusca bege, 1 fusca vermelho, 1 corcel azul marinho e 1 perua branca) mais 1 bar, 2 mercadinhos, mais algumas imobiliárias, alguns lotes de terrenos, 1 chácara, funcionários, a casa onde morávamos e mais uma de aluguel mas, apesar disso tudo, tive uma infância muito pobre.
Primeiro porque meu pai era um péssimo administrador e ele mesmo se auto-intitulava um "marreteiro" e segundo porque ele não vivia sob a direção de Deus e o resultado foi de que em pouco tempo perdeu quase tudo, ficamos só com 1 casa pra morar(ufa!).
Aí você me pergunta: -"você deve ser traumatizada, né? A resposta é: nããããããoooooooo!
Eu passei muita privação, muita vontade de ter um monte de coisa mas eu sempre tive esperança e isso é o que me movia durante toda a minha vida e, apesar das brigas constantes dos meus pais e dessas privações eu tive uma infância feliz! Acredite!
Eu trago um monte de lições importantes que aprendi com meus pais. Uma delas é a dar valor nas pessoas da família enquanto elas estão vivas, nós sempre visitávamos a única tia que morava perto (em Itaquera) e sempre escrevíamos cartas para os parentes de Minas. Aprendi também a importância de se plantar.
Minha mãe vivia comprando pacotinhos de sementes (acho que faz isso até hoje!) e trazendo mudinhas de plantas que pegava no caminho, na vizinhança, por onde ela passava ela via um galho que poderia ser transformado em uma árvore. Ela sempre foi uma mulher de muita esperança.
Do pé de maçã e do pé de pêra eu nunca vi sair um frutinho sequer mas comi muita amora, maracujá e muita goiaba bichada kkkk tinha muito xuxu, quiabo, jiló e abacate também mas até hoje eu não gosto deles!
Meu pai também gostava de plantar, principalmente, mandioca, cana e banana porque dizia que essas plantas davam fruto o ano todo e eu me lembro mesmo de ter comido muita mandioca e banana e ter tomado muito caldo de cana a vida toda kkkk.
Eu tive muito contato com os bichos porque nós tínhamos no quintal de casa (pense num quintal grande!) criação de galinhas, porcos, patos, fora os gatos e cachorros e até um ratinho que meu irmão teve um tempo.
Não bastasse isso, tinha um sítio na frente de casa onde brinquei até! E ainda passei algumas férias na roça da minha vózinha no norte de Minas, eita coisa booooooooa!
Conheço poucas adultos que tiveram uma infância tão "diversificada" kkkk.
Não posso dizer que cresci vendo isso ou aquilo porque na verdade eu nem cresci kkk mas já vi muita coisa boa e ruim. Eu vi muita gente nascendo, morrendo, empobrecendo, enriquecendo (rápido e devagar, honesta e desonestamente).
Lembro que em casa tinha um disquinho de vinil do Fábio Júnior com 2 músicas. De um lado a música "Pai" e de outro a música "Vinte e poucos anos". Essa segunda música me marcou por incrível que pareca eu nunca vou esquecê-la, diz o seguinte:
"Você já sabe e me conhece muito bem. Eu sou capaz de ir e vou muito mais além do que você imagina. Eu não desisto assim tão fácil meu amor das coisas que eu quero fazer e ainda não fiz. Eu sei também tem gente me enganando (uuu) e eu só quero dessa vida é ser feliz. Eu não abro mão nem por você nem por ninguém eu me desfaço dos meus planos, quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos"
Guardo muitas outras músicas na memória (apesar dos meus trinta e muitos anos kkkk) mas esta de certa forma era é a minha verdade.
Eu só conhecia os lugares bonitos porque de vez em quando meus pais me levavam pra comprar roupas nos camelôs da Rua Direita na Praça da Sé (no tempo em que se era possível passear por lá) e o único Mac Donald´s que tinha era lá (hoje tem na rua da minha casa) e no caminho entre São Matheus e Parque Dom Pedro, víamos as casas bonitas do Carrão, Penha, Tatuapé e Moóca e os olhinhos se enchiam de esperança de um dia morar numa daquelas.
Estudei mais do que alguns poderiam imaginar menos do que eu deveria. Trabalhei bastante, conheci um tanto de gente e, hoje, graças a Deus, posso dizer que tenho muitos amigos verdadeiros que conhecem essa minha verdade e para os quais eu não preciso "inventar um currículo" de boa menina e isso é realmente muito libertador.
Hoje eu conheço muita gente, muitos lugares e muitas coisas. Experiências que só me enchem mais de esperança de que, não importa quanto tempo mais eu vou viva, o que importa é que decidi viver intensamente porque descobri, de verdade, que Deus pode mudar até a história do mundo pra escrever a minha história e isso pode se dar durante toda uma vida ou apenas num estalar de dedos!
Meu pai só teve uma experiência com Deus no fim da vida, mas eu tenho certeza que foram os melhores anos da vida dele.
Você pode ter vivido uma vida sem sentido durante muitos anos, mas saiba que o poder restaurador de Deus pode te dar uma vida satisfatória, sem máscaras, sem rancores, sem medos, sem remorsos o que te fará tão feliz porque todas as tuas feridas serão cicatrizadas e você viverá feliz para sempre poque Ele pode te restituir o tempo perdido mas lembre-se: "os que escondem os pecados não prosperam (para sempre) e os que os confessam alcançarão misericórdia (para sempre)"
Deus te abençõe
Janaina Masioli
serva e eterna aprendiz
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